O sacrifício

A escolha de um paradigma leva ao sacrifício de outros. A escolha de um passeio descarta outras possibilidades. Toda escolha gera sacrifício. Mas quando entro na livraria Cultura, a melhor do país, a escolha é um processo de angústia, que por vezes dá vontade de não mais entrar lá. Livros e livros deixados para trás. Leitura não é como ouvir um CD, assistir a um filme ou escolher um passeio. A leitura requer tempo e a vida é curta, e o lazer é um fragmento desta vida. Desenvolvi micro leituras e fiz de um post it meu marca páginas, assim, posso identificar em que linha parei a leitura. Isto também me permite tempo para uma reflexão detalhada. Neste processo, vivo micro fugas de mim mesmo, diluo-me em outros, vivo noutros tempos e lugares. Sacrifico parte de mim, deixando de existir por micro momentos.

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A história nada linear

    “A noite tornou-se madrugada, a luz da candeia duas vezes morreu e duas vezes ressuscitou, toda a história de Jesus que já conhecemos foi ali narrada, incluindo, até, certos pormenores que então não achamos que merecessem a pena, e muitos e muitos pensamentos que deixamos escapar, não porque Jesus no-los disfarçasse, mas simplesmente porque não podíamos, nós, evangelista, estar em todo o lado”. (Extraído do Evangelho segundo Jesus Cristo de Saramago)
    Jesus, recriado pelo autor, escapa dos limites do escritor, como se tivera vida própria. Ao ler este livro, mudo minha visão e concepção do homem que teria sido crucificado para nos salvar. Afinal, são sempre leituras, recriações, entendimentos. A obra humaniza o Cristo, aproximando-nos do que podemos ser: filhos de um Deus ou termos possibilidade de dar um sentido a cada gesto nosso.“O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo de sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo”.(Extraído do Evangelho segundo Jesus Cristo de Saramago)luccalab1

Um deus

Um deus nos ajude!

A substituição de Que por Um dá margem a incertezas e desespero. Se há um deus, qualquer um que nos escute, poderia nos ajudar?

Se houver mais de um deus, teriam diferentes atributos de um deus único. Seria possível a competição, mas não haveria tantos paradigmas possíveis. Não precisávamos criar demônios. Um deus único é o que dá e o que tira; ordena e desordena; cria e destrói. Dois ou mais deuses governando um mesmo mundo, poderia gerar conflitos, guerras e ódio. Mas já convivemos com tudo isto, talvez porque cremos em deuses diferentes. Um deus me livre destes pensamentos que me corroem a alma. Aliás, pode ser uma deusa também!

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A busca

caminho

O segredo da busca é que não se acha…
Fernando Pessoa

Segredos, sagrados, mistérios e ocultos: o que encontramos além de mais
dúvidas? Passei por várias jornadas da alma, mas o que mais encontrei,
foram pessoas arrogantes com convicções arrogantes. Há uma pluralidade de
possibilidades e, respeitar o que não conseguimos entender, é a melhor das
luzes.

Opinião pública

programas_de_tv_ao_vivoMelhor não pensar. Melhor não refletir. Melhor não discordar.O homem não mais deve produzir opinião própria. O sucesso é de quem reproduz a opinião pública, validada pelo próprio simplismo inócuo: este é um grande
país e, com a vontade de todos, vamos vencer todas as dificuldades! (Aplausos).

O bem desprovido de caráter

O sistema atual destitui a vocação social e utilitária dos bens, focando
basicamente o lucro. Os materiais perderam muito da qualidade e da
durabilidade, já que o fundamental não é usar, mas consumir e recomprar.
Vivemos hoje num mundo virtual e fluido. Não há formas definidas, não há
detalhes. Os bens que temos são impessoais e sem história. Não há sabores.
Há uma valorização excessiva do campo visual, e um abandono dos demais
sentidos. Ocupamo-nos de digitações e a simulação rege nossos atos. As
sensações substituem as experiências. A afetividade é substituída pelo
prazer. As banalidades nos preocupam o tempo todo. Mas o interessante é que
não nos apercebemos de tudo isso.

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Chance

A palavra chance pode ter duas conotações distintas: refere-se a possibilidade (há uma chance) ou a possibilidade (peço uma chance). A questão é que estas duas conotações podem coexistir. Não há simplismo nem na natureza e nem nas ideias.

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A vida num jogo

O jogo da vida é uma autômato celular desenvolvido pelo matemático britânico John Horton Conway em 1970. O jogo foi criado de modo a reproduzir, através de regras simples, alterações do sistema. Configurações complexas emergem no sistema, e não são facilmente previsíveis.

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O messias

frumstory5John Frum trouxe uma mensagem de paz e esperançanos anos 40, e voltará da cratera do vulcão Yasur aos vilarejos das ilhas do sul do Pacífico, nação de Vanuatu, com presentes e suprimentos (cargas) para abençoar seus fiéis seguidores. Os símbolos religiosos são a cruz vermelha e torres de rádio feitas de bambú. O sacerdote se comunica num microfone sem fio. John voltará dia 15 de fevereiro, mas não sabemos em que ano. Todos aguardam a volta do messias.

Você está pronto para receber John Frum como seu salvador?

Cazária

A Cazária foi um extinto estado não-eslavo que existiu nas estepes entre o mar Cáspio e o mar Negro e parcialmenteyehudah_ha_levi2 ao longo do rio Volga. Os Cazares empreenderam uma série de guerras, todas vitoriosas, contra os califados árabes, evitando provavelmente a invasão muçulmana na Europa Oriental. Aos finais do séculos X, seu poder declinaria frente ao Principado de Kiev, desaparecendo misteriosamente da história. O dicionário Cazar descreve a polêmica do rei pagão dos cazares (ou dos cuzarís) com três filósofos, cada qual representando uma das três grandes religiões do ocidente: judaismo, cristianismo e islamismo. O objetivo era converter o povo a uma destas religiões. O kuzarí é um livro escrito por Yehudá Haleví, que representou o judaísmo na polêmica cazar. O livro descreve a conversão do povo cazar para o judaísmo. Uma obra extraordinária. Nele, o deus bíblico é entendido como atributos divinos (Elohim, que está no plural).

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