Tenho jogado xadrez contra um excelente programa: o Arasan 11.1. Faço-o pensar por 20 segundos. Perdendo, e sempre, tenho aprendido algo mais do que técnica. O xadrez requer uma estratégia de negociação e de riscos. Um movimento errado pode ser a anunciação do fim. Deve-se ouvir as peças. O que um bispo espera de mim? Espaço! Não posso posicionar muitos peões em casas pretas ou brancas, dificultando a respiração do meu bispo, seja o do rei, ou o da rainha. Devo me atentar a sacrificar mais em benefício de um bom posicionamento do que por troca de peças de maior valor. Há política no xadrez, como há xadrez na política.
Trivium e novos saberes
Outubro 26, 2009 às 12:51 am (Complexidade)
Tags: Complexidade
Nenhuma disciplina pode ser pensada em separado. Já se sabia na idade média. A retórica é a arte de buscar a eficácia da lógica. A gramática dá forma e possibilita.
Ciências mais recentes, como a ecologia e a cibernética, buscam as relações entre os saberes. A substância que permite a comunicação das disciplinas é a reflexão, que permite a compreensão. Temos obtido ciência demais nestes últimos anos, e sem a responsabilidade requerida. Corremos riscos.

A observação da natureza em sua natureza
Outubro 14, 2009 às 12:57 am (Complexidade)
Tags: variabilidade na natureza

Os compostos químicos mais simples, também são os mais abundantes e com baixa variabilidade. Ao contrário, compostos complexos, como os hidrocarbonetos, são raros e com elevada variabilidade.
O entendimento requer um mergulho na observação.
O sacrifício
Fevereiro 1, 2009 às 8:08 pm (Complexidade)
A escolha de um paradigma leva ao sacrifício de outros. A escolha de um passeio descarta outras possibilidades. Toda escolha gera sacrifício. Mas quando entro na livraria Cultura, a melhor do país, a escolha é um processo de angústia, que por vezes dá vontade de não mais entrar lá. Livros e livros deixados para trás. Leitura não é como ouvir um CD, assistir a um filme ou escolher um passeio. A leitura requer tempo e a vida é curta, e o lazer é um fragmento desta vida. Desenvolvi micro leituras e fiz de um post it meu marca páginas, assim, posso identificar em que linha parei a leitura. Isto também me permite tempo para uma reflexão detalhada. Neste processo, vivo micro fugas de mim mesmo, diluo-me em outros, vivo noutros tempos e lugares. Sacrifico parte de mim, deixando de existir por micro momentos.

Chance
Janeiro 7, 2009 às 1:19 am (Complexidade)
A palavra chance pode ter duas conotações distintas: refere-se a possibilidade (há uma chance) ou a possibilidade (peço uma chance). A questão é que estas duas conotações podem coexistir. Não há simplismo nem na natureza e nem nas ideias.

A vida num jogo
Janeiro 7, 2009 às 12:51 am (Complexidade)
Tags: jogo da vida, John Conway
O jogo da vida é uma autômato celular desenvolvido pelo matemático britânico John Horton Conway em 1970. O jogo foi criado de modo a reproduzir, através de regras simples, alterações do sistema. Configurações complexas emergem no sistema, e não são facilmente previsíveis.

O elefante de joelhos
Janeiro 3, 2009 às 3:06 am (Complexidade)
Tags: a viagem do elefante
“Quis usar o elefante como metáfora da vida humana. Os homens não entendiam bem as reações e os sentimentos do animal, mas também talvez porque não entendessem os seus mesmos.”
Saramago
Duas passagens curiosas em A viagem do elefante: a igreja pede para ocornaca ensinar e depois simular a por o elefante de joelhos na frente daigreja. Claro: a igreja precisava de um milagre para combater a Reforma. Assim aconteceu e a notícia do milagre correu por boa parte do norte daItália. Mas quase no final do livro, o elefante cai de joelhos porcansaço, vencido pela montanha, pelo frio e pela viagem. Saramago não fazcorrelações, mas a relação é evidente. De fato, nos ajoelhamos ou porquesomos condicionados, e pergunto que valor tem isso, ou porque somosvencidos pela natureza.

Saramago
Novembro 12, 2008 às 12:41 am (Complexidade)
No dia seguinte ninguém morreu. Assim começa o livro As intermitências da
morte de José Saramago. O comportamento humano depende fortemente de um
equilíbrio coletivo. Emergem qualidades que não podem ser explicadas
analisando apenas o indivíduo. Este também é o foco de Saramago em outros
livros: todos menos um cegaram; mais de 80% votaram em branco. O homem não
é um ser pré-determinado e suas qualidades não são colocadas em seu
comportamento como sementes a serem regadas. Estas qualidades não apenas
dependem, como emergem do meio, das relações e este entendimento deve
(deveria) afetar a compreensão do homem e da sociedade.

A obra sem assinatura
Julho 17, 2008 às 1:52 am (Complexidade)
Se formos mais que uma possibilidade estatística, e se observarmos a natureza, e então considerarmos a existência de um criador, como ele seria? Alguém que nos observa de cima? Um cientista que faz experiências com a massa celeste? Um sujeito em busca de distração? Diversão? Um coração solitário? Estaria acima das leis? A natureza é o registro que dispomos. Há um senso de justiça nela? Ele assinou sua obra? Onde? No graviton? Na entropia? Na seleção natural? No big bang? Na música? No amor? Mas este é o resultado de um processo evolutivo do egoismo. Se Deus existe, não tem pressa, não quer chamar a atenção para si, não interfere, não interage, não faz reengenharias. Onde está você Adão? Pergunta Deus. Mas onde está Deus?
Ponto sem retorno
Maio 27, 2008 às 2:06 am (Complexidade)
“Qualcosa dovremmo demolire per dare aria al paesaggio.” (Marco Paolini). E o medo de voltar para o passado, dar um passo para trás? Voltar a ser pobre, a necessitar, aprender, pensar, reconstruir? Ou a ilusão não foi suficiente ou a desilusão não o foi. Talvéz a maior das ilusões tenha sido (e ainda é) a de minimizar a humanidade ao cristianismo. Este é um ponto sem retorno, dentre tantos outros. Mas então peregunto: é possível inovar e reconstruir sem abandonar?


