Xeque-mate

Tenho jogado xadrez contra um excelente programa: o Arasan 11.1. Faço-o pensar por 20 segundos. Perdendo, e sempre, tenho aprendido algo mais do que técnica. O xadrez requer uma estratégia de negociação e de riscos. Um movimento errado pode ser a anunciação do fim. Deve-se ouvir as peças. O que um bispo espera de mim? Espaço! Não posso posicionar muitos peões em casas pretas ou brancas, dificultando a respiração do meu bispo, seja o do rei, ou o da rainha. Devo me atentar a sacrificar mais em benefício de um bom posicionamento do que por troca de peças de maior valor. Há política no xadrez, como há xadrez na política.

Trivium e novos saberes

Nenhuma disciplina pode ser pensada em separado.  Já se sabia na idade média. A retórica é a arte de buscar a eficácia da lógica.  A gramática dá forma e possibilita.

Ciências mais recentes, como a ecologia e a cibernética, buscam as relações entre os saberes. A substância que permite a comunicação das disciplinas é a reflexão, que permite a compreensão. Temos obtido ciência demais nestes últimos anos, e sem a responsabilidade requerida. Corremos riscos.

Cibernética

A observação da natureza em sua natureza

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Os compostos químicos mais simples, também são os mais abundantes e com baixa variabilidade. Ao contrário, compostos complexos, como os hidrocarbonetos, são raros e com elevada variabilidade.

O entendimento requer um mergulho na observação.

O sacrifício

A escolha de um paradigma leva ao sacrifício de outros. A escolha de um passeio descarta outras possibilidades. Toda escolha gera sacrifício. Mas quando entro na livraria Cultura, a melhor do país, a escolha é um processo de angústia, que por vezes dá vontade de não mais entrar lá. Livros e livros deixados para trás. Leitura não é como ouvir um CD, assistir a um filme ou escolher um passeio. A leitura requer tempo e a vida é curta, e o lazer é um fragmento desta vida. Desenvolvi micro leituras e fiz de um post it meu marca páginas, assim, posso identificar em que linha parei a leitura. Isto também me permite tempo para uma reflexão detalhada. Neste processo, vivo micro fugas de mim mesmo, diluo-me em outros, vivo noutros tempos e lugares. Sacrifico parte de mim, deixando de existir por micro momentos.

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Chance

A palavra chance pode ter duas conotações distintas: refere-se a possibilidade (há uma chance) ou a possibilidade (peço uma chance). A questão é que estas duas conotações podem coexistir. Não há simplismo nem na natureza e nem nas ideias.

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A vida num jogo

O jogo da vida é uma autômato celular desenvolvido pelo matemático britânico John Horton Conway em 1970. O jogo foi criado de modo a reproduzir, através de regras simples, alterações do sistema. Configurações complexas emergem no sistema, e não são facilmente previsíveis.

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O elefante de joelhos

“Quis usar o elefante como metáfora da vida humana. Os homens não entendiam bem as reações e os sentimentos do animal, mas também talvez porque não entendessem os seus mesmos.”
Saramago

Duas passagens curiosas em A viagem do elefante: a igreja pede para ocornaca ensinar e depois simular a por o elefante de joelhos na frente daigreja. Claro: a igreja precisava de um milagre para combater a Reforma. Assim aconteceu e a notícia do milagre correu por boa parte do norte daItália. Mas quase no final do livro, o elefante cai de joelhos porcansaço, vencido pela montanha, pelo frio e pela viagem. Saramago não fazcorrelações, mas a relação é evidente. De fato, nos ajoelhamos ou porquesomos condicionados, e pergunto que valor tem isso, ou porque somosvencidos pela natureza.

elefantes

Saramago

No dia seguinte ninguém morreu. Assim começa o livro As intermitências da
morte de José Saramago. O comportamento humano depende fortemente de um
equilíbrio coletivo. Emergem qualidades que não podem ser explicadas
analisando apenas o indivíduo. Este também é o foco de Saramago em outros
livros: todos menos um cegaram; mais de 80% votaram em branco. O homem não
é um ser pré-determinado e suas qualidades não são colocadas em seu
comportamento como sementes a serem regadas. Estas qualidades não apenas
dependem, como emergem do meio, das relações e este entendimento deve
(deveria) afetar a compreensão do homem e da sociedade.

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A obra sem assinatura

Se formos mais que uma possibilidade estatística, e se observarmos a natureza, e então considerarmos a existência de um criador, como ele seria? Alguém que nos observa de cima? Um cientista que faz experiências com a massa celeste? Um sujeito em busca de distração? Diversão? Um coração solitário? Estaria acima das leis? A natureza é o registro que dispomos. Há um senso de justiça nela? Ele assinou sua obra? Onde? No graviton? Na entropia? Na seleção natural? No big bang? Na música? No amor? Mas este é o resultado de um processo evolutivo do egoismo. Se Deus existe, não tem pressa, não quer chamar a atenção para si, não interfere, não interage, não faz reengenharias. Onde está você Adão? Pergunta Deus. Mas onde está Deus?

Ponto sem retorno

“Qualcosa dovremmo demolire per dare aria al paesaggio.” (Marco Paolini). E o medo de voltar para o passado, dar um passo para trás? Voltar a ser pobre, a necessitar, aprender, pensar, reconstruir? Ou a ilusão não foi suficiente ou a desilusão não o foi. Talvéz a maior das ilusões tenha sido (e ainda é) a de minimizar a humanidade ao cristianismo. Este é um ponto sem retorno, dentre tantos outros. Mas então peregunto: é possível inovar e reconstruir sem abandonar?

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