Circense

È questo il regno di Dio? Na história nunca convertida em cinema Il viaggio di G. Mastorna de Federico Fellini, um músico morre num desastre de avião. Quando ele percebe que está morto, após inúmeras confusões, pergunta a si mesmo o porque devemos passar por uma vida tão magra e amarga, e depois de tudo, encontrarmos um reino parecido: não devemos aceitá-la (esta morte), não podemos aceitá-la. As caricaturas, a música circense de Nino Rota, os estranhos acontecimentos em seus filmes, não há dúvidas: a vida não é o que parece. Nossos papéis sociais são como os filmes de Fellini (penso nisso durante as reuniões executivas). Estamos nos preparando para alguma coisa depois da vida? Não devemos aceitar a morte? Ou não podemos aceitar a vida esperando uma vida melhor que essa? Respeitável público: non ci pensiamo più!

 

O inferno de Eco

” Lasciate ogni speranza, voi che entrate.” (Perdei toda esperança, vós que entrastes)

…nos portões do Inferno de Dante

Foi Umberto Eco, no capítulo Sulla Natura e il Luogo dell’ Inferno em seu romance L’ Isola del Giorno Prima, quem imaginou o pior dos infernos. O inferno do abandono e do esquecimento. A humilhação seria algo bom, mas Deus não está para rir ou humilhar. É um inferno sem movimento. A decomposição que nunca chega. A espera de um verme faminto que nunca virá. Tudo é imóvel e consciente.

Não posso imaginar um inferno pior.

Comunicação

O excesso de comunicação degenera em incomunicação, seja porque este excesso não tem tempo para aprofundamentos, como porque gera comunicação de redundância. Neste segundo sentido, só há comunicação efetiva se houver diferença entre o emissor e o receptor. A repetição dos conteúdos em cascas diferentes também torna a comunicação redundante. Mesmo a arte procura evitar o novo, porque não quer arriscar o lucro garantido de um sucesso constatado.

O excesso de imagem inibe nossos outros sentidos. Quem quer um bom aparelho de som? Basta que seja bonito e cheio de leds.

Aprendemos a reproduzir a opinião pública, e não a produzir a nossa opinião. Já não pensamos. Para que? Deixemos esta tarefa para a mídia especializada. Vamos apenas assistir e apreciar. É o dever da felicidade que achata qualquer questão mais complexa.

No princípio

Talvez no princípio significasse no topo, acima de tudo. De qualquer forma, no princípio não era o verbo. “No princípio era a proeza” (Goethe). Claro, antes mesmo da ação, da palavra, da vontade, e do desejo, deve existir a capacidade, ou a possibilidade. Mas a vantagem desta nova versão é que ela não invoca necessariamente um criador.

A biblioteca de Babel

A biblioteca de Babel imaginada por Jorge L. Borges e revisitada por Umberto Eco em Il Nome della Rosa, foi conretizada e se chama web. Só que esta não tem bibliotecário e nem guardião. Conteúdo: livros ruídos. Pela primeira vez, nasce a des-ordem da ordem.

Paradigma

Paradigma é a oposição de dois termos virtuais, dos quais atualizo um, para falar, para produzir sentido. O paradigma é o móbil do sentido. Todo conflito é gerador de sentido. Escolher um paradigma é rejeitar outro, é sempre sacrificar ao sentido. Idéia de criação estrutural que desfaça, anule ou contrarie o binarismo. Este, a meu ver, é o melhor dos conceitos (resumindo Roland Barthes).

Paradigma molda as ideias, de forma inconsciente. Ele surge de uma ideia considerada como uma verdade. Então se cristaliza e não é mais questionada.

Se um amigo me sugere uma oração, ele se utiliza de diversos paradigmas: deus existe; deus pode me ouvir; deus pode me ajudar; eu creio em deus; eu mereço ajuda; deus sabe o que é bom para mim. Assim, uma frase pode ocultar múltiplos paradigmas.

Posso criar sim, um meta-paradigma que me permita flexibilizar e dissolver ideias fixas.

Só mais uma questão: faz sentido deus fora do paradigma deus existe?

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